Toque do Espírito

Todos desejam a paz, mas nem todos buscam as coisas que produzem a verdadeira paz.

Tomás de Kempis

A amizade de Deus


Nosso Senhor, o Verbo de Deus, que primeiro atraiu os homens para serem servos de Deus, libertou em seguida os que estavam submissos, como ele próprio disse a seus discípulos: “já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo de amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.” (Jo 15,15). A amizade de Deus concede a imortalidade aos que a obtêm.

No princípio, Deus formou Adão, não porque tivesse necessidade do homem, mas para ter alguém que pudesse receber os seus benefícios. De fato, não só antes de Adão, mas antes da criação, o Verbo glorificava seu Pai, permanecendo nele, e era também glorificado pelo Pai, como ele mesmo declara: “Pai, glorifica-me junto a ti esmo, com a glória que eu tinha, junto de ti, antes que o mundo existisse” (Jo 17,5).


Não foi também por necessitar do nosso serviço que Deus nos mandou segui-lo, mas para dar-nos a salvação. Pois seguir o Salvador é participar da salvação, e seguir a luz é receber a luz.

Quando os homens estão na luz, não são eles que a iluminam, mas são iluminados e tornam-se resplandecentes por ela. Nada lhe proporcionam, mas dela recebem o benefício e a iluminação.

Do mesmo modo, o serviço que prestamos a Deus nada acrescenta, porque Ele não precisa do serviço dos homens. Mas aos que o seguem e servem, Deus concede a vida, a incorruptibilidade e a glória eterna. Ele dá seus benefícios aos que o servem, precisamente porque o servem, e aos que o seguem, precisamente porque o seguem; mas não recebe deles nenhum benefício, porque é rico, perfeito e de nada precisa.

Se Deus requer o serviço dos homens é porque, sendo bom e misericordioso, deseja conceder os seus dons aos que perseveram no seu serviço. Com efeito, Deus de nada precisa, mas o homem é que precisa da comunhão com Ele.

É esta, pois, a glória do homem: perseverar e permanecer no serviço de Deus. Por esse motivo dizia o Senhor a seus discípulos: “Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16), dando assim a entender que não eram eles que o glorificavam, seguindo-o, mas, por terem seguido o Filho de Deus, eram por Ele glorificados. E disse ainda: “Pai, quero que estejam comigo aqueles que me deste, para que contemplem a mina glória” (Jo 17,24).

Santo Irineu

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